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Quando o padre Landell de Moura conseguiu transmitir a voz humana, sem o uso de fios, da Avenida Paulista até o bairro de Santana, em São Paulo, “inventou o rádio” - sim, antes da experiência de Marconi.
Ele não sabia que esta possibilidade iria resistir ao tempo e permitir a mágica da comunicação de massa, sintonizando ao mesmo tempo milhares de pessoas, e dando sentido àquilo que chamamos de audiência. Paralelamente criava-se um poder para poucos, devido à complexidade dos equipamentos e, principalmente, à concessão pelo uso do ar. De outro lado, na busca por seduzir a audiência estabelecia-se uma indústria mágica que construía vínculos afetivos pelo áudio. Ao chamar de “amigo” o ouvinte, sempre na primeira pessoa do singular, como se ele fosse único, o rádio criava uma linguagem peculiar e se definiria como o veículo de maior proximidade com sua audiência.
Tivemos a “era do rádio” que conseguiu uma enorme influência, rompendo fronteiras, além de promover um grande impacto cultural.Mas era só o começo da “era da informação”, formando um cenário pronto para um mundo onde tudo aconteceria cada vez mais rápido e cada vez mais simples. E esse é o nosso presente. Por isso, hoje é importante pensar como o rádio irá sobreviver a partir dos novos tipos de transmissão na tão propalada “democracia da informação”.
Assim faço minhas previsões, um tanto previsíveis, talvez. Estará garantido no futuro quem souber sintonizar o ouvinte, já que hoje o poder da comunicação baseada na audiência acabou, estamos na era do “todos transmitem e todos querem ser ouvidos”. Devido às novas tecnologias, alguns equipamentos do rádio, como antenas e transmissores, estão com os dias contados. Até a concessão de exploração do ar também corre o risco de não existir mais, já que as grandes empresas de comunicação se deparam com concorrentes pequenos e produtivos, que lançam conteúdo de milhares de computadores 24 horas por dia.
O sistema de transmissão agora é infinitamente mais barato, mais leve e mais rápido. Por isso mesmo o número de concorrentes aumentou assustadoramente. E quando resolvem se manifestar, os “amados ouvintes” exigem tratamento pelo nome e respostas on- time.

Creio, apaixonadamente, que o rádio se manterá pelas suas características clássicas de linguagem, se souber se concentrar nessa nova dinâmica de relacionamento com os ouvintes. É fundamental ser ainda mais interativo do que sempre foi, entendendo e respeitando a inteligência do ouvinte. O rádio ainda poderá, graças a flexibilidade de sua linguagem e “know how” criativo, ser destaque na convergência das mídias.
Não se desespere se você é um radiodifusor, seu negócio não vai desaparecer. Só lembro que não é bom ter apego a sua antena. Meu conselho é que esqueça as antenas e mire-se em talentos, cuidando muito bem deles porque eles voltaram a ser o maior patrimônio do rádio.
Na “aldeia global” todos podem interferir na notícia e dar novos significados a velhos conflitos, homens e mulheres definirão on-line os rumos do planeta. As grandes cabeças, corações e vozes do rádio certamente farão parte deste novo tempo de conexões humanas, onde através deste “novo meio” reafirmarão sua vocação como promotores das notícias e da cultura.
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