Por Miriam Aquino
Falar da perda de Renato Guerreiro é mais do que falar de um dos principais artífices do modelo de privatização das telecomunicações brasileiras.
Mas, ao invés de resgatar os seus feitos, prefiro resgatar os seus gestos. E aqui vai um pequeno registro de quem presenciou, como jornalista e admiradora, um pouco da trajetória deste incansável batalhador.
Covarde, não tive coragem de acompanhar a sua longa batalha contra o câncer. Perguntava aos amigos e às fontes comuns como estava a sua luta. E a resposta era muito parecida: “tá difícil, mas ele está muito otimista.”
No mês passado, encontrei-o em uma audiência na Anatel. Confesso ter ficado muito feliz. Lá estava ele: grande, bonito, alegre e, ouso até dizer, parecia rejuvenecido. Um forte abraço e ainda brinquei: fala pra Carol que eu nunca vi um paraense tão bonito!
Hoje me vem à memória uma imagem de mais de oito anos, quando nós jornalistas fomos até Oriximiná, sua terra, para ver o primeiro celular chegando naquela cidade à margem de um belíssimo rio. Aquela cidade para nós parecia ser apenas conhecida por Guerreiro e seus patrícios.
Mas ele não teve pena de nós, brasileiros do litoral. Andamos sob um sol escaldante, comemos tartaruga e todos aqueles pratos que fazem a língua mexer, e vimos um “Renatinho” (assim que ele era chamado na cidade) feliz como uma criança.
Se um dia me perguntarem por que Guerreiro largou a Anatel antes de seu mandato terminar, depois que o presidente da República mudou a lei apenas para contemplá-lo, vou responder, sem medo de ser ingênua, que foi o amor. Só o amor o faria largar a sua principal paixão.
Amor por sua mulher, por seus filhos. Ouvinte privilegiada de sua vida (fiquei mais de um ano entrevistando-o) para o livro da Universidade Estácio de Sá, Editora Rio, toda a vez que tratávamos de sua renúncia em meio a um segundo mandato de presidência da Anatel, seus olhos se enchiam de lágrimas.
Ele ficou, mesmo, muito assustado. Afinal, a mulher da sua vida estava com câncer. Preferiu largar as telecomunicações para cuidar de Carol. E ela, também uma lutadora, foi com ele enfrentar esse primeiro baque.
E assim é Guerreiro. Lutou com galhardia contra a sua própria doença. Mas até o último minuto preferiu apostar no amor e na vida. Guerreiro, em todos os momentos.
Fonte: Tele.síntese
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