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O lento avanço da TV digital no Brasil

Publicada 23/05/2011

À exceção de São Paulo e Paraná, a transmissão digital dos sinais de TV nos demais estados está restrita às capitais.

A Anatel lançou este mês um relatório de acompanhamento da TV digital no país e este estudo será divulgado com frequência. Infelizmente, os dados divulgados não condizem com o otimismo manifestado pela agência, que afirma em seu release que “a expectativa é que a cobertura da Televisão Digital Terrestre no Brasil seja igual ou superior à cobertura analógica atual antes mesmo de 2016, ano que está previsto o fim das transmissões analógicas”.

Ora, conforme a própria agência, são apenas 480 municípios – de um universo de 5.565 – que já podem contar com as transmissões digitais. Isso não representa nem 10% dos municípios brasileiros, enquanto a TV aberta analógica é um dos serviços mais universalizados do país.

A seu favor, a Anatel demonstra que esses 480 municípios congregam 45,98% da população, ou 87,7 milhões de pessoas que já poderiam ter acesso aos sinais digitais. Mas se abrirmos os dados – que estão até bem fáceis, pois são apresentados com base nos mapas de cada unidade da federação – constatamos que apenas nos estados de São Paulo e Paraná existe alguma emissora transmitindo o sinal de TV digital fora da capital. Em São Paulo são 14 municípios onde há pelo menos uma geradora de TV digital testando o seu sistema, e, no Paraná, são cinco os municípios.

Para chegar ao número de 480 municípios atendidos, a Anatel conta com as cidades dos entornos das capitais que estariam aptas a receber os sinais digitalizados de TV.

Embora a agência use os mesmos critérios aos dos serviços de telecomunicações – medindo o mercado pela ótica da cobertura e da oferta do serviço, e não pelo lado da demanda – esta maneira de acompanhar o desenvolvimento da TV digital não quer dizer muito.

Se a radiodifusão tem sinal aberto e gratuito (este é o principal  argumento dos radiodifusores para reagir à unificação da legislação deste segmento à de telecomunicações) não dá para analisar o avanço do serviço apenas sob a ótica da oferta, sem levar em consideração que a TV precisa chegar nos lares brasileiros para que seus programas digitais possam ser vistos e assim se falar em massificação da TV digital.

Além disso, a Anatel conta como município atendido desde que pelo menos  uma emissora esteja transmitindo  experimentalmente os sinais digitais. Ora, a transição da TV analógica para a digital depende, fundamentalmente, de todas as emissoras, e não apenas de uma única iniciativa por cidade.

Conforme os dados do Ministério das Comunicações, existem hoje no país 286 emissoras de TV comercial e 182 de TV educativa. Deste total, 189 outorgas já foram concedidas para a TV digital. Mas no caso das retransmissores, a situação é ainda muito dramática. São 10.976 retransmissoras no país e apenas 37 pediram outorga para transformar seus sinais analógicos em digitais.

Se a migração é lenta por parte do empresariado, por parte da população, ela é ainda mais tímida. O Fórum do SBTVD – que congrega indústria, academia, governo e radiodifusores – não divulga qualquer projeção sobre o número de telespectadores que já teria comprado o seu aparelho de TV digital.

O número de televisores digitais comercializados, por sinal, só começou a ser divulgado no ano passado pela Eletros (entidade que congrega os fabricantes), quando foram vendidos mais de seis milhões de aparelhos. Uma quantidade de equipamentos certamente impressionante, mas ainda muito pequena frente ao desafio de  chegar nos quase 60 milhões de lares brasileiros.  O prazo de transição termina em seis anos. Alguém acredita que iremos cumpri-lo nesse ritmo sincopado?

Fonte: Miriam Aquino, do Tele.Síntese

 

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